25 de março de 2010

Diário?

Hoje não acordei muito bem. Já é de praxe que isso aconteça, mas hoje com um grau a mais.

Tive pesadelos durante a noite. Avião caindo e muito fogo. Fui dormir em um lugar e quando acordei estava em outro. Eu sei que fui para esse outro, mas tinha certeza de que eu tinha voltado ao primeiro.

Uma vez me disseram que meus pesadelos com queda de avião é confusão nos meus pensamentos. Indo de encontro a essa tese, será o fogo ação demais ou de menos?

Sonhei com corpos carbonizados, correria e confusão. Estou com medo. E sei que isso me atrapalha ainda mais. Tenho medo e medo tenho.

Acordei privada de meu livre locomover. Estou me sentindo amarrada, minha cabeça pesa e não tenho se quer uma barata para relatar os fatos, também quem disse que ela ia querer ouvir. Talvez se eu a devorasse quebraria minha rotina, afinal nem comer tenho vontade, a comida não tem cheiro e nem gosto e quem sabe uma baratinha, hum, uma coisinha diferente me alimentaria, risos.

Enfim...que aviões não caiam, que ninguém morra...se tiver que acontecer que seja comigo.

Isso tudo não é frescura, se não sentir nada parecido um dia, simplesmente agradeça, mas se você se sentir assim um dia vai se lembrar de mim e ver o quanto fazem pré-conceito dos sentires alheio.

Por isso escrevo. Escapo de mim. Me sinto melhor assim.

Márcia Alcântara

Manhã de Outono de 2010

11 de fevereiro de 2010

E " a Vida foi feita para ser..."

Hoje resolvi escrever por que não consegui mais deixar tudo dentro de mim. Precisava de certa maneira, escapar de mim, jogar aos sete ventos palavras que estavam em mim, presas.

Ontem me incomodei quando deixaram em meu mural uma certa frase: “ a vida foi feita para ser vivida e não para ser compreendida”. Isso me perturbou, profundamente. Não há como viver sem tentar compreender o que está ao meu redor, ou seja, a dita Vida.

Parei para pensar e tentar compreender o porquê me coloco sempre a tentar entender á tudo e a todos se nem mesmo eu sei fazer isso, fazer isso no sentido que me diz respeito, entender a mim mesma.

Estou exausta hoje e desde que comecei a me compreender como um “quase ser”, inconstante demais é que o sou. E por que coube a mim ser? Quem disse que eu queria ser? Por Zeus! Quase sou!

Pensamentos diferentes, ações completamente avessas, cheiros diferentes, paladares diversos, coisas distantes... assim é todos os seres, criaturas, seres humanos...

O fato é que nada, nada mais me chama tanta atenção, a não ser, é claro, tentar compreender o porquê de tantas coisas distintas em pessoas praticamente iguais. Mas o praticamente da frase já diz tudo: não são iguais. E mesmo assim, numa crise terrível de teimosia ainda procuro tentar entender mais os outros do que a mim mesma...

Entender o que não pode ser entendido, o que não pode ser compreendido...eu, os outros, a vida.


Márcia Alcântara
Verão de 2010

29 de janeiro de 2010

As Pessoas...

Há muito não conseguia de mim escapar. Não conseguia escrever uma linha se quer. E quanto mais o tempo passava, mais e mais angustiada eu ficava.

Mas hoje recebi um escrito de uma pessoa, muito especial, do qual a chamo de “quase eu”, e somente nós entendemos o porquê disso ou daquilo.

O escrito relatava lembranças, mais especificamente, como ela mesma disse em seu escrito as da infância. Lembranças marcantes para muitos, mas, que para outros nem ao menos são lembradas. E isso me fez escapar, ou ao menos, tentar.

Parei para imaginar o que as pessoas, os humanos, tem feito de suas vidas. Não por que cargas d’água tenho um nome que me remete a outro planeta e o apelido que eu mesma me dei, para um outro lugar que não a Terra. As coisas que “curto” me levam para longe... Longe de aqui.

É confuso, porém verdadeiro. As pessoas agem de forma estranha. Antigamente eu percebia uma preocupação maior com os próximos, ou seja, os outros da mesma espécie e até mesmo das outras. Mas hoje o que posso sentir é uma ignorância para com o outro. Se preocupam apenas com o próprio eixo, e mesmo assim andam com os eixos tortos e espiralados. Não cuidam do que com tempo adquiriram: respeito e amor. Não querem mais saber o que fazem de mal. Visam seus próprios bens... e muitas vezes ainda vislumbram os bens alheios com olhos de Rubi. Esqueceram do Diamante, esqueceram que o coração poderia ser de Quartzo Rosa.

Cheguei a conclusão de que isso contamina, pois eu mesma já me preocupei mais com os outros. Preciso urgente de um banho com Sal Pedra e Ametista,mesmo que venha por ai a Lua Cheia. Não pense que me sinto egoísta agora, não é isso, mas percebo que não há reciprocidade no carinho, no amor oferecido. Isso cansa, desgasta o ser, mesmo que esse não seja desse planeta, assim como eu.

Sou de Marte, sou da Lua, visito Vênus e aqui na Terra procuro viver numa redoma de vidro, me protejo de mim, pois adquiri, aqui neste pedaço em que vivo, uma coisa que escuto dizerem ser um tal “pé atrás” com tudo e com todos, até mesmo os de outras espécies,pois estes não sei mais quando vão morder, adquiriram o hábito de morderem por morder, e não mais para se proteger. Não gosto de viver assim, mas ao vir morar aqui perdi a oportunidade de voltar de onde vim quando quiser, me vislumbrei com brilho azul da água e agora só vou se for chamada, espero que este chamado não demore. O ar de minha redoma esta se acabando, a água que vislumbrei não é mais azul e Terra que quis tanto, agora desliza e mata.

Márcia Alcântara
Verão Chuvoso de 2009

20 de dezembro de 2009

Provas, Linguagem...Surreal.

Essa antevéspera de Verão me foi de grande emoção, de grande conhecimento. Eu percebi o quanto sou vulnerável as emoções, estas que vem de dentro do meu ser, de forma muito particular e sincera. Não que eu já não tenha isso em mente, mas infelizmente, agora que preciso aparentar grande, necessito mais do que antes, de provas e mais provas, e a prova de minha vulnerabilidade veio rápido, talvez voando pendurada em uma nuvem de pássaros.

Também percebi que não é possível se perder pela realidade com tanta facilidade o quanto eu imaginava. O mundo ai fora é muito assustador, mas aqui dentro de mim, o mundo se tornou muito pequeno. Precisei sair. Necessitei conhecer o externo de mim. Dominei meu medo com ajuda. Sai. E não me perdi.

O externo de mim não era tão externo assim. Não, não era. Pensei que o externo estava distante e somente era real em meu surreal. E para isso, como já disse antes, me veio a prova: o surreal que eu imaginava é muito real. É o surreal que faz meu coração bater todos os dias. Eu já desconfiava disso, mas certeza, eu não possuía.

Pude perceber que o mundo lá fora é tão real e tão surreal ao mesmo tempo, que nos faz confundir falas com sentimentos. Senti que a linguagem, assim como eu já desconfiava, é um problema. Ela é confusa, escura e, na realidade, não expressa quase nada do que queremos dizer, do que queremos compreender.

A única coisa que me vem a cabeça quando sinto tudo isso, é a lágrima. Pura que escorre do olhar de qualquer um. Qualquer um que possua este conhecimento. O conhecimento de que a fala não é pura, de que a fala nada diz. Enquanto que um olhar e uma lágrima pode tudo dizer. Dizer sem ao ar nenhum verbo soltar.

Me faltam palavras, nada mais posso dizer, nada mais pode ser real. Voltei para meu habitat natural... O Surreal. Aqui eu nada digo... Aqui eu sinto... Aqui vivo... Aqui respiro o ar Lilás... Aqui tento ser feliz!

Márcia Alcântara
Antevéspera de verão de 2009

8 de dezembro de 2009

Sentimentos

Me sinto abalada. Por nada! Um nada que sufoca, abala e me corrompe. Tiraram de mim o algo mais precioso que tenho - o ar lilás.

Me sinto cansada. A espera angustiante de tentar saber e entender tudo. Quero tudo, tudo para ontem. Meus músculos doem. E nada posso fazer! Me sinto travada. E o tempo sorri de mim.

O colorido, descoloriu. A canção parou de tocar. O sol nem ao menos mais aparece. Só chove e chove. E a chuva que cai não lava minha alma. À noite a Lua não mais me vê.

Ouço os burburinhos pelas esquinas dizendo que as renas estão a caminho!

Não, não e não. Eu não quero vê-las passando lá em cima, tirando o brilho da noite, fazendo cair as estrelas.

Sabe, estou cansada de tantas coisas, de tantas palavras soltas pelo ar, estou cansada de captá-las sem ao menos querer ouvi-las.

Meus sentimentos parecem estar batidos num mixer... triturados, misturados...

Estou embriagada de nada!

Marcia Alcântara
Chuva forte de primavera 2009

23 de novembro de 2009

Sem titulo

Eu sempre soube que a realidade é densa. Algo muito carregado, e para mim, difícil de levar, pesada eu diria.
Para conseguir fazer do que é real algo leve, para que eu possa seguir junto com os outros, afinal me ensinaram que assim deve ser, acrescentei a minha receita de realidade um pouco de ficção. Agora mais madura descobri que posso fazer isso em “n” espaços de minha vida. Eu diria que em todos os lugares. Eu estou no mundo por mim. E por mim teria que fazer o melhor. O que não entendi que é eu iria fazer tudo por mim, mas os outros não. e aqui me prejudiquei, faço tudo pelos outros a ponte de esquecer de mim.

O fato é que ao acrescentar algo em alguma coisa já pronta e padronizada, senti os reflexos também cruéis na ilusão. Meu mundo parece estar em guerra com o outro mundo. Real e surreal, uma batalha dura, intensa e covarde. A pior parte de tudo isso é que, meu lado pertencente ao mundo real, me escolheu como juiz. Me escolheu como juiz de um jogo onde meu mundo joga com o mundo onde vivo! Ta tudo confuso demais.

Eu disse á ele que não entendo das regras do jogo. Tempos atrás fui expulsa de um jogo por apontar a realidade. E por isso me decidi pelo surreal. Agora o surreal me joga para a realidade, e lá eu não quero ficar. Não quero, juro que não. Meu ato de respirar virou algo tão,mas tão banal, que nem sinto que meu coração continua a bater aqui neste corpo...

E assim espero partida após partida, um jogo novo para que eu possa jogar e não apenas ser o juiz...

Respirando ar lilás...

Márcia Alcântara
Primavera sufocante de 2009.

16 de novembro de 2009

Veneno

É de um vampiro que preciso, eu penso. Eu preciso de sua mordida doída, mas que depois, me traga uma felicidade eterna. Uma eternidade onde eu não mude. Continue a mesma meninamulher, chata aos olhos de alguns, inteligente na visão de outros, mimada, talvez bela, talvez diferente, angustiada sempre, doida, esquisita rs, enfim eterna no que sou, inconstante para sempre...

Quero na minha eternidade acontecimentos surreais. Minhas forças estão se esgotando de tanto eu tentar fazer da realidade sem graça, algo surreal e magistral. To cansada de todos os seres comuns ao meu redor. Olhando apenas a si... ai que mundo é esse, tão cruel...estou em náusea, sinto repudio de todos os lugares que freqüento.

Ah! To farta dessa igualdade comum, dessa ética tão certinha! Ah! Tolos! Creio que são todos vocês que estejam errados. Acreditando em uma vida, única, perfeita á espera do dia do paraíso. Hahaha...não pude me controlar, precisei gargalhar!

Preciso de um veneno. De uma dose única, básica para me tirar desse mundinho, ou então, da mordida de um doce Vampiro que me deixe aqui para sempre, sempre e sempre vou poder ver as mudanças, ou as não mudanças. Verei de fato a queda de tudo! A minha? Não sei!

Tá tão mal escrito este texto, mas é assim que me sinto, me perdi até no doce modo de escrever... ah! Me sinto embriagada, do risadas ao mesmo tempo que as lágrimas escorrem, e assim o sol se vai... e eu? Continuo aqui!

Eu, Márcia Alcântara, nauseada.
Entardecer de primavera de 2009