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12 de novembro de 2009

Triste?

Ás vezes as pessoas me cobram muito. Dizem que escrevo de forma triste e bla bla bla. Mas o que é a tristeza? Eu escrevo assim por que sinto que os momentos de prazer e felicidades são tão passageiros, estreitos e raros, que não sinto necessidade de colocá-los para fora de mim. Eu os deixo guardados.

Escrevo assim, por que meus momentos angustiantes, são eternos. Duram para sempre. E este sempre não acaba. É sempre e sempre. Preciso dividir, preciso externá-los. Mesmo durante os meus raros flash de alegria e prazer sinto, percebo e vejo que a angústia está presente, na primeira fila, aplaudindo estes raros momentos. E no final, ela me abraça.

Eu não sou triste por ser angustiada, claro que não. Ta certo que viver, muitas vezes, me é um fardo grande, pesado, apagado, mas nem por isso deixo de ser. Estou aqui e aqui estou. Eu sinto que não estou adaptada ao caleidoscópio mundano, prático e material. São muitas cores e formas que aos poucos cega meu ser. E quando retorna a visão sinto-me tonta. Uma fita cassete torcida. Velha, rara, sem valor...

O porque desta cobrança? Eu não sou triste. Apenas sou.

Márcia Alcântara
Primavera de 2009, ainda me sinto um pouco zonza.